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Curso Afro-Pará

EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Educação quilombola em Oriximiná tem formação de professores

De 21 a 22 de janeiro de 2016, no Clíper Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Oriximiná, ocorreu o primeiro Seminário de Elaboração de Material Didático-Pedagógico para Educação Escolar Quilombola em Oriximiná.

Foram dois dias de intenso trabalhos para a capacitação de mais de 150 professores, técnicos, gestores de Educação e lideranças quilombolas. No pronunciamento de abertura, o Coordenador de Educação da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO), professor Manoel Siqueira, defendeu a necessidade de promoção do Ensino das Culturas e Historicidade Afro-brasileira e Africana e Educação das Relações Étnico-raciais. Pois, “só assim, promovendo a valorização das culturas afro-brasileiras e sua historicidade no Pará e no Brasil, poderemos garantir os direitos e o fortalecimento das comunidades”, concluiu Siqueira.

Ainda na abertura do evento, estudantes da escola quilombola da comunidade Jarauacá, que integram o Grupo Swing Palmares, cativaram o público persente com a apresentação de músicas e danças tradicionais da cultura paraense.

A primeira palestra foi ministrada pelo professor Amilton Sá Barretto sobre a conjuntura atual da implementação da Educação Escolar Quilombola. Segundo Sá Barretto, “um dos maiores desafios é traduzir a legislação educacional para a prática docente, uma necessidade de mudanças nas abordagens pedagógicas”. Na oportunidade, foi entregue formalmente para a Secretaria Municipal de Educação de Oriximiná um Kit Pedagógico do Projeto A Cor da Cultura com livros, cd's e dvd's educativos para o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira.

Já a professora Giovana Ferreira demonstrou em sua palestra a importância de não se perder o “horizonte” da realidade local no ensino-aprendizagem das escolas, enfatizando a apropriação da legislação educacional, especialmente as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Quilombola.

No encerramento do primeiro dia, o professor Tony Vilhena organizou os participantes em grupos de trabalhos (GT's) conforme as Unidades Regionais de Gestão Escolar (URGE's) que eles representavam. Após aprofundamento dos princípios da educação quilombola e avaliando a diversidade cultural de cada comunidade, cada GT elaborou uma proposição de ação estratégica para inserção da realidade local nos conteúdos curriculares (veja quadro em anexo).

O segundo dia começou com a palestra do geógrafo Mateus Lobo, representante das organizações não governamentais Kirwane – Desenvolvimento Integral e Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), que em sua apresentação defendeu que o processo educativo nas comunidades quilombolas deve se orientar pela defesa do histórico de luta pelo território e conservação ambiental, “quando o meio ambiente é devidamente cuidado, contando com a presença humana no espaço”, conceituou o especialista.

Finalizando a programação, as professoras Simone Araújo e Ariane Caldas promoveram, respectivamente, as oficinas de “máscaras africanas” e “jogos educativos”. Estas oficinas foram muito participativas. Há uma desejo de docentes por novas técnicas e linguagens que permitam a abordagens das peculiaridades das educação quilombola, contribuindo para o fortalecimento identitário das comunidades.

Durante todo o evento, professores e estudantes do Programa saberes da EJA, implantação do Ensino Médio pela Resolução 48 do FNDE, fizeram uma mostra das experiências científicas que utilizam os conhecimentos locais. Chamou a atenção de todos os participantes, por exemplo, o trabalho de química orientado pela professora Andreza dos Santos que produziu as bebidas “caxiri” e “tarubá”, fermentadas da batata preta e da mandioca. “Estas são bebidas quilombolas que se revelam neste encontro de saberes e costumes locais com os conhecimentos científicos, nesta caso, trabalhamos diversos elementos das ciências da natureza e os alunos percebem que sabem muito de química e física a partir de suas experiências”, relata Santos.

Os mestres de cultura também marcaram presença. Destacando-se o artesão Zé Lopes que expôs uma vasta obra ceramista e o cantor e compositor Mimi Viana que interpretou seus maiores sucessos. No encerramento, o Grupo de Pagode da Comunidade Quilombola preparou uma animada noite cultural.

















































Fotos: Simone Araújo

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