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Curso Afro-Pará

EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

quinta-feira, 29 de março de 2012

Comunidades quilombolas ganham política de direitos e inclusão

Com o objetivo de aperfeiçoar a política de inclusão social, criada com o programa Raízes, o governador Simão Jatene assinou, neste sábado (19), o decreto que institui a política de apoio às comunidades remanescentes de quilombos, na comunidade de Guajará-Miri, no município de Acará, nordeste paraense. A cerimônia teve a presença de secretários de Estado e autoridades municipais.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Informativo SEPPIR

 
América Latina e Caribe terão
observatório sobre afrodescendentes
 
A decisão de implementar o Observatório foi retirada da Cúpula dos Chefes de Estado do AfroXXI em função das regiões concentrarem a maior população mundial de afrodescendentes
 
Quantos são e como vivem os latino-americanos e caribenhos de origem africana é o que pretende responder o Observatório de Dados Estatísticos sobre os Afrodescendentes na América Latina e no Caribe. Saiba mais
 
Conselheiros discutem pauta
racial na Rio+20
 
Acontece hoje e amanhã (26 e 27/03), em Brasília, a 34ª reunião ordinária do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR). Em discussão, temas como a pauta racial na Rio+20 e o Programa Nacional de Ações Afirmativas. A reunião é realizada no auditório do Bloco A da Esplanada dos Ministérios, das 9h às 18h. Saiba mais

Povos de terreiro são tema de encontro
com a Ministra da Igualdade Racial

A legalização dos terreiros de umbanda como política pública de interesse da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir). Esse foi o destaque do "Diálogo Aberto com a Ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, e o Povo de Terreiro do Rio Grande do Sul", que lotou o plenário da Câmara de Vereadores do município gaúcho de Alvorada na última sexta-feira, 23. Leia mais
 
Eleições municipais e igualdade Racial
 
NBR NOTÍCIAS - 21.03.11: No dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a Seppir, completa nove anos. Em comemoração, a Seppir promoveu um seminário, no Tribunal Superior Eleitoral, sobre as eleições e a igualdade racial. Assista entrevista da Ministra
 
Defensores serão qualificados para atender quilombolas
 
NBR NOTÍCIAS - 22.03.11: Uma parceria entre a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e a Defensoria Pública da União vai capacitar agentes do sistema judiciário para atender comunidades quilombolas e tradicionais. Saiba mais
 

terça-feira, 27 de março de 2012

AFRICANOS NO MATO GROSSO: CULTURA MATERIAL, IDENTIDADES E COSMOLOGIAS

Palestra com o arqueólogo LUÍS CLÁUDIO SYMANSKI
Ph.D. em Antropologia/Arqueologia pela Universidade da Florida.


O professor Luís Symanki tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Arqueologia Histórica, atuando principalmente nos seguintes temas: arqueologia histórica, arqueologia da diáspora africana, comportamento de consumo, grupos domésticos. É professor adjunto do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná.
 

DIA 30-03-2012 – SEXTA-FEIRA - 15 HORAS
CENTRO DE MEMÓRIA DA AMAZÔNIA

Trav. Rui Barbosa, 491 – Reduto (esquina com Ó de Almeida)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Colóquio Internacional – Culturas Jovens: Afro-Brasil América

PARTICIPE COM SEU TRABALHO!


Prazo de inscrições dos resumos: 26/03/2012
Concorra a ingressos para o Colóquio Internacional de Culturas Jovens da USPPrazo para entrega dos trabalhos completos: 10/04/2012
Inscreva-se aqui!

O Colóquio Internacional – Culturas Jovens: Afro-Brasil América pretende instaurar um espaço de debate sobre o tema apoiado no conceito de telescopia histórica. O hip hop, com seu apelo universal, cada vez mais marcado pelo policulturalismo e pelo hibridismo, exerce um papel essencial na formação dos jovens, auxiliando-os a compreender o mundo em que vivem. Além de ter gerado muitas ocupações, criou uma forma de comunicação entre culturas distintas. É, ainda, caudatário  de uma longa e extensa luta política dos afro-americanos pelos direitos civis e de afirmação étnica do movimento Black Power, que inaugura, entretanto, uma nova forma de militância com ênfase na dimensão cultural, culminando em uma movimento multinacional e agregador no mundo inteiro.A menção aos quilombos no rap brasileiro põe em ação o que Béthune (2003) chamou de telescopia histórica: atualizar no presente um clamor do passado, ou seja, o desejo de liberdade e de reconhecimento, que hoje se traduz pelo caráter crítico-destrutivo de suas letras e de afirmação étnico-social, denunciando a desigualdade e exigindo tudo aquilo que vem sendo negado ao povo brasileiro, particularmente aos afro-descendentes. Um fenômeno da cultura, que em sua intersecção local com a ordem mundial, permite ressignificar identidade, cultura e territorialidade dos renegados desse mundo globalizado. Esgotada a via política de transformação, o reggae e depois o rap promoveram uma nova revolução –- a cultural – sempre fazendo apelo às raízes. 

Eixos do Colóquio
Os principais eixos que nortearão o debate serão
1º dia:
O hip-hop: Cultura jovem, história e resistência
2º dia:
Formação, identidade cultural e musicalidade
3º dia:
Telescopia histórica: cultura afro-popular e movimento negro

quarta-feira, 21 de março de 2012

21 de março: Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

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Massacre de Shaperville – Era 21 de março de 1960, quando ocorreu no bairro de Sharpeville, na África do Sul, um protesto contra a Lei do Passe, que obrigava a todos os não-brancos do país a usarem uma caderneta. No documento constava a cor, etnia e profissão de cada negro, sua situação na receita federal e restringia o acesso aos bairros brancos da cidade.
A manifestação reuniu vinte mil manifestantes na cidade localizada em Johannesburg. Tratava-se de um protesto pacífico, mas mesmo assim a polícia sul-africana o conteve com rajadas de metralhadora deixando 180 pessoas feridas e 69 mortos. Em 1976, a Organização das Nações Unidas oficializou a data como memória tornando-a Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

Eliminar a discriminação contra negros

Na data em que se relembra o que foi considerada a maior chacina de negros da história, o Massacre de Sahperville, Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, publicou por meio do jornal Folha de São Paulo o artigo Eliminar a discriminação contra negros.
A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial a fim de garantir a reflexão sobre os impactos do racismo na sociedade.

Fonte: Palmares

terça-feira, 20 de março de 2012

Você sabe o que o FIPIR?

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O FIPIR
O Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial (Fipir) foi instituído, visando à implementação de estratégias para a incorporação da PNPIR nas ações governamentais de Estados e Municípios. Assim, o Fipir atua na articulação, capacitação, planejamento, execução e monitoramento das ações de implementação da Política de Igualdade Racial (PIR) no país. A adesão de Estados e Municípios ao Fipir o coloca como principal instrumento de implementação das políticas de PIR no conjunto da Federação.

Nelson Mandela terá museu em Mvezo, vila onde nasceu há 93 anos

Por Daiane Souza

A África do Sul terá um museu em homenagem a Nelson Mandela, primeiro presidente negro da nação e símbolo da resistência contra o Apartheid. O memorial que ficará localizado em Mvezo, terá preservados os vestígios e peças da casa onde o pacifista nasceu há 93 anos. O local é atualmente alvo de disputa entre a família Mandela e o Governo da África do Sul.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Caminhada defenderá a liberdade de crença e diversidade religiosa

PAZ

Objetivo é fomentar cultura de tolerância religiosa em todo o Pará

O Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira (Intecab-Pará), em parceria com as Comunidades de Terreiros do Estado, realizará no próximo dia 18, às 9h, a III Caminhada Estadual pela Liberdade Religiosa Fé e Resistência - Caminhando a gente se entende. A concentração será no Ver-o-Rio e a chegada na praça da República.
O objetivo do evento é construir culturas de paz e respeito entre as religiões e seus adeptos, tendo como base a laicidade do País , garantindo a cidadania no Estado democrático, a liberdade de crenças e práticas na fé de cada indivíduo, ou ainda, o ceticismo e a liberdade de não crer.

Inclusão em pauta

 
Universidade Federal do Pará (UFPA) promove o I Seminário de Estudos Sobre Currículo e Formação de Professores na Perspectiva da Inclusão. A programação será realizada no Instituto de Ciências Jurídicas da UFPA, de 21 a 23 de março. Os temas discutidos são baseados na educação inclusiva no contexto Amazônico.
Entre palestras e debates sobre novos recursos e tecnologias existentes aos deficientes físicos, pesquisas de campo e formação de professores, o IFPA tem espaço na programação.  A oficina ‘’Sensibilidade para uma Pedagogia Sensorial’’será ministrada pela pedagoga da Instituição, Mary Suzianne Moraes Costa.
OBJETIVOS
O Seminário propõe capacitar alunos, professores, pesquisadores e trabalhadores a lidar com as diferenças de cada indivíduo, sejam elas físicas ou psicológicas. As inscrições ocorrem no Instituto de Ciências da Educação – UFPA.  Para acadêmicos a taxa é de R$10,00 e trabalhadores R$15,00.

terça-feira, 13 de março de 2012

O rapper congolês Baloji se apresenta em Belém

Aliança Francesa de Belém promove show internacional
O rapper congolês Baloji se apresenta na cidade nesta semana.
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Baloji, cujo nome significa "feiticeiro" em swahili, nasceu na República Dominicana do Congo, em 1978. Aos 4 anos ele chega à Bélgica com o pai; adolescente, descobriu o hip hop e se apaixonou pelo rap e pela dança. Com influências do soul, do afro beat e do hip hop, é considerado um dos mais bem sucedidos MC da cena francesa. No Brasil, sua apresentação contará com a tradicional rumba congolesa e funk nigeriano.
Saiba mais sobre o rapper acessando:
SERVICO
O show exclusivo da Aliança Francesa Belém acontece no dia 18 de março, às 19h, no Cine-Teatro CCBEU. Para conferir, basta reservar seu ingresso GRATUITAMENTE pelo telefone (91) 3224-3998.
A retirada de ingressos será feita a partir das 8h nesta quinta-feira, 15 até às 12h da sexta-feira, 16 de Março.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Estudantes participam de Concertos Didáticos no Theatro da Paz

Apresentação da Orquestra Jovem da Fundação Carlos Gomes marca a volta dos Concertos Didáticos ao Theatro da Paz na próxima quarta-feira (14), em duas sessões, às 10h e às 16h. A Orquestra Jovem, atualmente sob a regência de Rodrigo Santana, tem por objetivo proporcionar aos alunos de instrumentos de cordas do curso básico e técnico, a prática de orquestra tão necessária à sua formação como músicos, e é uma atividade estritamente pedagógica que tem como objetivo desenvolver o aluno no ambiente artístico e divulgar a prática musical ministrada no CCG.

O programa integra o Projeto Waldemar Henrique, em parceria com a Secretaria de Educação (Seduc) e Secretaria de Cultura (Secult), e oferece apresentações musicais de cunho educativo aos alunos da rede pública de ensino, propiciando às crianças e adolescentes um conhecimento complementar sobre produção musical e os grupos locais, além de dar a conhecer o mais famoso palco da cidade, como meio de integrá-los ao público diferenciado que consome arte e cultura, contribuindo na formação de novos cidadãos comprometidos com a cidade e o patrimônio arquitetônico e cultural. Inaugurando os trabalhos de 2012, participarão os alunos da centenária Escola Barão do Rio Branco e alunos do CCG.

Serviço
Concertos Didáticos do Projeto Waldemar Henrique .
Dia 14 de março de 2012
Theatro da Paz, às 10h e 16h

Ascom/Fundação Carlos Gomes

Aniversário de 141 anos da Biblioteca Pública Arthur Vianna com o tema "Os Livros Sagrados: Os Registros da Fé"

Exposição de Obras raras no aniversário de 140 anos da Biblioteca Arthur ViannaAlgumas das palavras e páginas que mais influenciaram e influenciam na história das sociedades são encontradas nos livros religiosos: as publicações sagradas – seja do cristianismo, islamismo, judaísmo, das religiões africanas, religiões orientais, dentre outras – que servem de guia e referência para bilhões de pessoas diariamente no mundo. Pela importância dessas obras milenares, a Biblioteca Pública Arthur Vianna abordará a temática “Os livros sagrados – Registros da fé” como mote do aniversário de 141 anos da instituição.
As comemorações iniciam no próximo dia 19 de março e vão até o dia 25 de março. Palestras com estudiosos nacionais e locais, exposições, oficinas, stands de livros e atrações culturais irão compor a programação, toda gratuita. O evento é realizado pela Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves.
Uma das principais atrações do evento será o “Ciclo de palestras” que terá a presença de grandes representantes nacionais e locais das mais diversas religiões. A programação ainda terá feira com stands de editoras, além de lançamentos de livros de autores paraenses com noites de autógrafo. Já as oficinas abordarão temas como “Danças circulares” e “Religiões orientais” (Texto e foto: Site da FCTN).

CENTUR
ENTRADA FRANCA !
De 19 a 25 de março de 2012 das 14hs às 22hs

PROGRAMAÇÃO

Excelente artigo publicado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT)

Subsídios para o desenvolvimento de práticas pedagógicas promotoras da igualdade racial na educação Infantil[1]
 
Hédio Silva Junior.[2]
Lucimar Rosa Dias[3]

Apresentação

A revisão das Diretrizes Curriculares para a Educação Infantil no ano de 2009 reafirmou o que já constava de outras normativas sobre a necessidade de as instituições de atendimento às crianças pequenas assegurarem em sua proposta pedagógica o acesso às contribuições dos povos negros em diferentes instâncias, de modo que garanta-se o direito de todas as crianças independente de seu pertencimento racial de ter acesso a experiências que colaborem na construção de suas identidades positivamente. Esse artigo pretende fornecer subsídios para os professores na forma de reflexões e proposições no sentido de orientar a prática pedagógica realizada em creches e pré-escolas para efetivação de ações que promovam a igualdade racial na educação infantil.
A produção desse documento é parte de um Plano de Cooperação Técnica entre Secretária de Educação Básica (SEB/MEC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), cuja execução foi compartilhada com o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), tendo como uma de suas ações a formação da Rede Nacional para a Igualdade racial na Educação Infantil.
O objetivo principal desse movimento é oferecer subsídios para professores e gestores comprometidos com uma educação pautada na igualdade racial ao mesmo tempo em que preenche uma lacuna em relação à LDB alterada pela Lei 10.639 de 2003 e pela 11.645/08, que às vezes é entendida como não aplicável à Educação infantil.

Em defesa da Lei 10.639

FOTOS RAFAEL CUSATO Trocar um trabalho tranquilo e garantido como chefe de Departamento de Recursos Humanos na antiga Companhia Energética de São Paulo (CESP), pela difícil tarefa de discutir a questão racial no mercado de trabalho e na educação, fez de Maria Aparecida Silva Bento - doutora em Psicologia pela USP e professora visitante da Universidade do Texas - uma das principais referências no assunto no Brasil. Fundadora do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e das Desigualdades (CEERT), organização responsável em colocar sindicatos, governo e empresas privadas, como o setor bancário, na discussão sobre a discriminação racial no mercado de trabalho, também é de sua ONG as principais ações relacionadas ao incentivo da aplicação da lei 10.639-03, que institui a obrigatoriedade do ensino da historia da África e de seus descendentes nas escolas, ações descritas com exclusividade nessa entrevista para a RAÇA BRASIL.



O Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) começou suas atividades há mais de 20 anos com ações direcionadas ao mundo do trabalho e das desigualdades. Por que, hoje, sua atuação está mais relacionada à educação?
Nossa primeira experiência de impacto foi com a prefeitura de Belo Horizonte, no ano de 1995. Inicialmente na área do trabalho, depois saúde e educação. Fomos aprofundando cada vez mais e, a partir deste movimento, foi que percebemos alguns problemas gravíssimos com a identidade racial das crianças. Pudemos perceber que as crianças negras tinham desconforto com o seu cabelo e a sua cor de pele, coisas bastante complicadas. Cada vez mais, começamos a estudar esse problema e produzir material para isso.

Quais os avanços e o que a senhora percebe no ambiente escolar nesses quase 10 anos da aprovação da lei 10.639, que obriga o ensino da África e seus descendentes na escola?

A lei é uma das maiores conquistas do movimento social e do povo brasileiro. Quando você tem uma lei, as condições de monitoramento e gestão obrigam o setor público e privado a dar respostas, por isso essa lei, sem dúvida, é uma das grandes conquistas que nós tivemos.

sábado, 10 de março de 2012

No caminho da interculturalidade na universidade: rituais de brancos e índios

06/03/2012 | Caroline Maldonado O desafio da construção de um ensino superior intercultural abraçado por algumas universidades brasileiras revela a vontade de professores e pesquisadores em se envolver e aprender com os povos indígenas e não apenas ensinar ou pesquisar suas práticas. De outra parte, nessas interações fica destacada a cordialidade das comunidades indígenas. Falamos aqui de professores doutores, mestrandos e convidados da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Estando em Mato Grosso do Sul, estes percorreram, no dia 28 de fevereiro, cerca de 500 Km até a aldeia Pirajuy, no município de Paranhos. Quem os recebeu, no dia seguinte, foi a comunidade da etnia Guarani Ñandeva. Na oportunidade, o professor Eraldo Costa, vindo da UEFS, foi homenageado pela comunidade ao ganhar um cocar, que é geralmente dedicado às autoridades políticas ou religiosas.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Reconhecimento aos guardiões da cultura afro-brasileira

Por Jacqueline Freita

Sob pressão da Inglaterra, o estado imperial brasileiro proibiu o comércio de escravos africanos em 1831. Apesar da lei, um intenso tráfico clandestino continuou para o litoral do Brasil, especialmente para as novas áreas cafeeiras em produção. O tráfico transatlântico só seria efetivamente reprimido por uma nova lei em 1850, e somente nesse período, cerca de um milhão de africanos chegaram ao litoral brasileiro, especialmente na costa fluminense. Esses cativos, oriundos da África Central, povoada por diferentes povos falantes das chamadas línguas banto, desembarcavam em portos clandestinos do litoral sul e norte do estado do Rio de Janeiro, resultando em índices significativos tanto da territorialidade negra como da prática de manifestações diretamente relacionadas à memória ancestral. [1] 
Para os quilombolas, descendentes de africanos escravizados no Brasil, é uma importante conquista ter a sua comunidade oficialmente reconhecida. É o primeiro passo de uma série de etapas até a titulação, e que já lhes assegura direitos dos quais antes não conseguiam usufruir. O ato de receber, em mãos, a certidão de autorreconhecimento tem significado todo especial. E assim aconteceu, recentemente, em duas comunidades remanescentes de quilombo do Estado do Rio de Janeiro.  
Baía Formosa 
Em Armação dos Búzios – município do litoral norte do Rio de Janeiro alçado à condição de atração turística internacional, no início dos anos 1960, pela atriz francesa Brigitte Bardot – a comunidade de Baía Formosa reuniu-se em recepção solene, no dia 23 de fevereiro, para receber do presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, o documento com que tanto sonhou.  
A festa foi prestigiada por quilombolas da região e de municípios vizinhos, como os das comunidades de Rasa e Botafogo, e também por autoridades locais. Após um breve histórico sobre a criação e a missão da Fundação Cultural Palmares, o presidente Eloi Ferreira destacou a importância dos quilombolas não só para a história do País, mas, especialmente, em seus valores mais caros: o respeito ao próximo, aos hábitos locais e à natureza.  
“Não existem registros de comunidades quilombolas com área de desmatamento, com poluição, com grilagem de terras, com queima de cartórios ou com fraude de certidões. Ser quilombola é ter um vínculo histórico com a resistência à escravidão e com os antepassados. Ser quilombola é  ser detentor da cultura afro-brasileira e de sua terra”, enfatizou.  
Ao entregar formalmente a certidão de autorreconhecimento à comunidade de Baía Formosa, o presidente da Fundação Cultural Palmares também ressaltou que, quando for conquistada a titulação, a terra passará a ser de propriedade coletiva, ou seja, inalienável – o que, vale lembrar, reproduz o costume ancestral de utilização da terra, fossem as atividades agrícolas, extrativistas ou outras, assim caracterizando diferentes formas de uso e ocupação dos elementos essenciais ao ecossistema, que tomam por base laços de parentesco e vizinhança assentados em relações de solidariedade e reciprocidade. “Assim como uma herança deixada pelos antepassados, essa terra será transmitida aos descendentes de vocês e jamais poderá ser negociada e penhorada”, finalizou Eloi Ferreira. 
 
Um pouco de História – A história das comunidades negras da Região dos Lagos tem como referência a fazenda Santo Inácio dos Campos Novos, localizada em Sesmaria concedida a jesuítas e depois vendida a escravagistas. A Comunidade de Baía Formosa localiza-se nessa região, que já abrigou cultivos principalmente de banana, além de milho e feijão, e onde trabalhavam negros escravos. No período de prosperidade agrícola, tornou-se ponto de desembarque clandestino de navios negreiros após a proibição do tráfico no Brasil. Assim, a área é de ocupação antiga e sua história remonta às fugas dos negros das fazendas. Dessas fugas teria surgido um quilombo, mas, com a assinatura da Lei Áurea, os negros teriam sido expulsos e formado a periferia, onde fizeram descendência. Consta ainda que algumas famílias de ex-escravos e seus descendentes pagavam arrendamento ao proprietário das terras para permanecer no local e, com o tempo, também foram deslocadas pela especulação imobiliária, que é muito forte na região.  
Foto: Jacqueline Freitas / FCPFoto: Jacqueline Freitas / FCP
Presidente da Palmares em discurso durante o evento
Santa Rita do Bracuí 
No dia 24 de fevereiro, a comitiva da Fundação Palmares dirigiu-se ao litoral sul fluminense, na região de Angra dos Reis – outra área onde a especulação imobiliária é significativa – para entregar o documento pertencente à Comunidade Remanescente de Quilombo de Santa Rita do Bracuí.  
Ali, como que reproduzindo uma postura ancestral e sem conter a emoção, o presidente Eloi Ferreira de Araujo reverenciou o mestre jongueiro Zé Adriano, de 89 anos de idade – guardião de uma das mais tradicionais manifestações culturais afro-brasileiras, o jongo, e importante liderança local na luta pela titulação das terras – ao lhe entregar oficialmente a certidão de autorreconhecimento, que já havia sido formalizada pela FCP.  
Foto: Jacqueline Freitas / FCPFoto: Jacqueline Freitas / FCP
Mestre jongueiro Zé Adriano recebe certidão das mãos de Eloi Ferreira

Origens – A Comunidade de Santa Rita do Bracuí originou-se em 1877, a partir de uma doação de 260 alqueires que o fazendeiro José de Souza Breves, que ficou conhecido na região como “o comendador Breves”, fez aos seus escravos.
A comunidade foi atingida pela construção da estrada Rio-Santos, que a dividiu em duas partes, e desde os anos 1960 luta contra grileiros e condomínios de luxo para se manter nas terras herdadas dos antepassados. Antigos e jovens moradores compartilham memórias, experiências e projetos – o que resultou em um Ponto de Cultura – e se associam para a construção de alternativas de desenvolvimento comunitário e sustentável.  
Conceito – Contemporaneamente, a expressão “quilombo” não se refere estritamente a resíduos ou resquícios arqueológicos de ocupação temporal ou comprovação biológica. Também não se limita a grupos isolados, uma população homogênea ou que necessariamente se tenha constituído a partir de movimentos de insurreição. São, de fato, grupos que desenvolveram práticas cotidianas de resistência em manter e reproduzir modos de vida característicos e de consolidação de um território próprio. A identidade quilombola não se define pelo tamanho e número dos membros da comunidade, mas pela experiência vivida e as versões compartilhadas de sua trajetória comum e da continuidade enquanto grupo [2].    
__________________________
[1] Jongos, calangos e folias – Memória e música negra em comunidades rurais do Rio de Janeiro. Projeto desenvolvido a partir de 2005 pelo Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) e o Núcleo de Pesquisas em História Cultural (NUPEH) da Universidade Federal Fluminense (UFF), RJ.  
[2] O’Dwyer, Eliane Cantarino. Apresentação do Caderno Terra de Quilombos. Rio de Janeiro: UFRJ/ABA, 1995.

Fonte: Palmares

I COLÓQUIO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO NA AMAZÔNIA - PROGRAMAÇÃO COMPLETA!


Folder da programação (clique para ver em tamanho original)



Educadores na LDB: gestores, técnicos e apoio escolar

Educadores na LDB: gestores, técnicos e apoio escolar

Antonio Gomes da Costa Neto
Mestre em Educação, perito judicial em Educação

Introdução

Com o objetivo de estabelecer definições distintas entre os educadores, inclusive em relação ao Programa Nacional de Formação dos Profissionais da Educação, foi dada nova redação ao artigo 61 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
Esses critérios referem-se à atividade relacionada aos profissionais não docentes, em que estariam inseridas as atribuições dos gestores, técnicos e de apoio escolar, uma vez que são relacionadas às funções típicas do Estado.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Entre a voz e a letra... o espaço do encantamento

Ondjaki 
Artigo de Surian Seidl, mestranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destaca o diálogo entre a oralidade e literatura africana nas obras do escritor angolano Ondjaki (foto).
Num tempo em que o branco do papel tem a necessidade de ser preenchido por letras que contem histórias e legitimem os saberes, percebe-se o afastamento da oralidade no cotidiano. No entanto, a contação de estórias é um exemplo dessas práticas orais que fez parte da infância da maioria das pessoas e permanece presente nas literaturas populares e marginalizadas, aqui com o recorte das africanas, que geralmente não estão inseridas no cânone literário.

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Conar determina alteração do anúncio da Devassa considerado racista e sexista

A Ouvidoria da Seppir foi oficiada ontem (29), sobre a decisão do órgão
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou a alteração do anúncio da Devassa por concluir pela ocorrência de racismo, machismo e sexismo, entre outras infrações éticas, na composição da peça. A decisão foi comunicada ontem (29) à Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em resposta ao processo instaurado e encaminhado por essa instância ao Conar e ao Ministério Público.
“A frase utilizada na peça associa a imagem de uma mulher negra à cerveja, reforçando o processo de racismo e discriminação a que elas estão submetidas historicamente no Brasil e que é caracterizado, entre outras manifestações, pela veiculação de estereótipos e mitos sobre a sua sexualidade”, afirma o Ouvidor da Seppir, Carlos Alberto de Souza e Silva Júnior, segundo o qual o processo foi instaurado na Ouvidoria a partir de uma denúncia referente à propaganda que divulgava a frase: “É pelo corpo que se reconhece a verdadeira negra. Devassa negra encorpada. Estilo dark ale de alta fermentação. Cremosa com aroma de malte torrado”.
De acordo com o Conar, as infrações cometidas no anúncio encontram-se previstas em inúmeros artigos do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. “O contexto da imagem associado à frase transcrita, deixa explícita uma ideologia de estereótipos, tendo em vista que esta publicidade de cunho ambíguo expõe um segmento étnico e a imagem das mulheres negras, referindo-se ao seu corpo e sua sexualidade”, conclui Carlos Alberto.
Sobre o ConarO Conar é uma organização não governamental que visa impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas. Constituído por publicitários e profissionais de outras áreas, o Conar tem como missão principal o atendimento a denúncias de consumidores, autoridades, associados ou formuladas pelos integrantes da própria diretoria. As denúncias são julgadas pelo Conselho de Ética, com garantia de direito de defesa aos responsáveis pelo anúncio. Quando comprovada a procedência de uma denúncia, o Conar recomenda alteração ou suspensão da veiculação do anúncio.

Fonte: SEPPIR

quinta-feira, 1 de março de 2012

Relatório da Campanha Mundial da Educação ressalta discriminação de gênero na educação

Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital
Nesta quarta-feira (29), a Campanha Mundial pela Educação (CME) apresentou ao Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) o relatório inédito A Discriminação de Gênero na Educação: Violação dos direitos das mulheres e meninas. Baseado em dados, estudos de casos e em uma pesquisa mundial sobre a discriminação de gênero nas escolas, o documento mostra os desafios para se alcançar a igualdade entre homens e mulher no acesso à educação.
Um dos principais objetivos deste relatório é mostrar ao Cedaw a necessidade urgente de chamar atenção para a falta de oportunidades iguais para meninos e meninas quando o assunto é acesso ao ensino e conseguir superar este problema.
Nos últimos anos, a quantidade de meninas e adolescentes matriculadas na escola aumentou, contudo, o fato não é motivo de grandes comemorações, pois isto não garante que os gêneros têm as mesmas oportunidades educativas e muito menos que a discriminação foi superada. Ao mesmo tempo em que elas estão tendo mais acesso à escola, também têm maior probabilidade de deixar os estudos antes de completar a educação primária.
Segundo informações de 2011 da Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (Unesco), 53% das pessoas em idade escolar que não estão matriculadas são do sexo feminino, o que significa que cerca de seis milhões de mulheres e meninas estão fora da escola. O relatório também revela que, na Bolívia, 30% das adultas não sabem ler ou escrever, contra 5% dos homens. CME também mostra que 94% das meninas estão matriculadas em séries da educação primária, mas apenas 69% estão matriculadas na educação secundária.
Não poder ir à escola não é o único problema enfrentado por mulheres e meninas. Campanha Mundial pela Educação alerta para a reprodução dos estereótipos de gênero nos materiais de estudo, no currículo e no próprio ambiente escolar, assim como para a violência, os abusos e a exploração.
As estudantes são as principais vítimas de violência sexual nas escolas. Equador, Colômbia e México publicaram estudos recentes em que denunciam a gravidade da situação. Na cidade colombiana de Bogotá, a violência sexual cresceu 138% de 2004 a 2008. A Promotoria do país recebeu 542 denúncias por maus-tratos e abusos sexuais cometidos em escolas públicas. Apenas 32 casos foram resolvidos.
Na cidade do México, de 2001 a 2010 foram realizadas 3.242 denúncias na Unidade para a Atenção do Maltrato e Abuso Sexual Infantil (Uamasi). 85,78% dos casos foram praticados por profissionais da escola (diretores, professores, administrados e empregados) e 15% são denúncias de abuso ou assédio sexual. No Equador, uma em cada quatro estudantes já sofreu abuso sexual. Os agressores são, na maioria das vezes, professores, companheiros de sala e vizinhos.
As meninas são preteridas também quando o assunto é pagar por educação. O relatório apresentado ao Comitê aponta que, quando as famílias são obrigadas a escolher, preferem pagar para que os meninos estudem. "O dado sugere que ainda predomina a ideia de que é mais importante educar aos homens e que as mulheres devem ficar em casa cuidando de seus irmãos e fazendo tarefas domésticas”.
Falta de liberdade, discriminação de gênero mais intensa nas zonas rurais, discriminação contra adolescentes grávidas e casamentos precoces também são temas abordados no relatório e que merecem atenção para que se consiga eliminar as desigualdades de gênero na educação em todo o mundo.
Várias informações do relatório sobre discriminação de gênero na educação foram coletadas pela CME por meio de uma pesquisa que já entrevistou 509 estudantes e 250 professores/as. Ainda é possível responder até maio. O questionário está no link: http://www.campanaderechoeducacion.org/sam2011/entre-en-accion/.