EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Convite para Encontro de Avaliação e Planejamento de Educação para a Promoção das Relações Étnico-raciais no Pará


Encontro de Avaliação e Planejamento de Educação para a Promoção das Relações Étnico-raciais no Pará
Data: 13 de fevereiro de 2019
Hora: 9h às 17h
Local: IFPA – Campus Belém, localizado na Av. Almirante Barroso (entre Estrela e Timbó, Marco - Belém/PA).
A Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial – COPIR/SEDUC, com foco em suas atribuições de enfrentamento ao racismo no ambiente escolar e aplicação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas, além dos desafios na implementação da educação escolar quilombola no Estado do Pará, compreende a necessidade de se estabelecer uma dinâmica de trabalho de modo colaborativo para atingir seus objetivos e metas em rede com as instituições públicas e os movimentos sociais para avaliar, planejar e fortalecer parcerias para a efetivação de Projetos e ações para as relações raciais na educação em 2019.

Com estas premissas, respeitosamente convida as instituições púbicas e os movimentos sociais à participarem da Reunião de Avaliação e Planejamento de Educação para a Promoção das Relações Étnico-raciais no Pará, promovida pela COPIR/SAEN , no dia 13 de fevereiro de 2019, de 9h as 17h, no IFPA – Campus Belém, localizado na Av. Almirante Barroso (entre Estrela e Timbó).

A reunião terá como propósito a exposição de demandas pertinentes aos Projetos/Ações desenvolvidos pela Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial - COPIR, bem como fomentar a realização de um Encontro à ser Coordenado pelo FOPEDER, objetivando fortalecer as parcerias com as entidades representativas.

Esperamos que seja possível contar com vossa participação.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

COPIR participa de processo de elaboração do Projeto Pedagógico da Escola Estadual Prof. Ademar Nunes de Vasconcelos, em Salvaterraa


A COPIR, cumprindo sua atribuição de assessoramento nas temáticas referentes à Educação das Relações Étnico-raciais e Ensino da História e Cultura Afro-brasileira e Africana e Educação Escolar Quilombola no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Pará, tem acompanhado o processo de elaboração do Projeto Pedagógico da Prof. EEEM Ademar Nunes de Vasconcelos, que visa garantir os princípios da Educação Escolar Quilombola, visto que quase um terço de seus alunos/as são oriundos/as das dezesseis comunidades quilombolas de Salvaterra. No dia 27 de dezembro, através da atuação do sociólogo Tony Vilhena, a COPIR assessorou mais duas etapas desse importante passo dado pela escola.
O processo tem sido muito participativo, mesmo diante das dificuldades encontradas, já que neste ano a escola entrou em reforma e ampliação, fazendo com que o atendimento pedagógico fosse dividido em escolas da Rede Municipal. Mas, mesmo assim, foram aplicados e tabulados das diversos instrumentos de consulta à comunidade escolar. Também foram realizadas visitas e entrevistas nas comunidades quilombolas, além de reunião aberta à participação da sociedade.
Em maio, em alusão ao 13 de Maio: Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, foi desenvolvido o Projeto Semana Integrada de Combate ao Racismo com o tema "Territorialidade e Empoderamento Quilombola".
Ao receber da Escola Vasconcelos a proposta de adequação do Projeto Pedagógico, em observância às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica (Resolução 08/2012 do Conselho Nacional de Educação), a COPIR aprovou a iniciativa de imediato, inclusive já recomendou em ofício que todas as escolas estaduais que atendem estudantes quilombolas realizem debates e providenciem as mudanças necessárias.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Escola Augusto Olímpio participa de Trilha Afro-Amazônica

No dia 13 de dezembro, pela manhã, estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Augusto Olimpio participaram do Projeto Trilha Afro-Amazônica, que consiste numa visitação técnica no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, observando elementos naturais que informam sobre conhecimentos ancestrais originados na África.
A Trilha Afro-Amazônica foi proposta pela ex-estagiária do Museu Tainah Jorge para apresentar a cultura afro-religiosa e seus demais valores civilizatórios, tão presentes nas nossas práticas, de modo positivado, combatendo o racismo e a intolerância religiosa contra os povos de matriz africana.
Setenta e quatro alunos e alunas de 9º ano, acompanhados/as pela vice-diretora Ângela Paiva, pelo professor de Ensino Religioso Joelson Silva e pela estagiária de Ciências da Religião Bruna Silva fizeram todo o percurso da Trilha, além de participarem de roda de conversa e exibição de filmes sobre a necessidade de enfrentamento à intolerância religiosa.
A estagiária Daiana e o estagiário Regis (do Museu) fizeram a acolhida e as orientações dos serviços do Parque. As professoras Márcia Helena e Deusilene Lisboa e o professor Tony Vilhena (da COPIR) ministraram os conteúdos, numa manhã de muitas descobertas.



Texto: Tony Vilhena
Fotos: Raí Pontes (Site da SEDUC)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

ASSISTA O DOCUMENTÁRIO É NÓS POR NÓS



Um projeto que começa a partir da recepção do filme Pantera Negra. Coletividade, periferia, extermínio e protagonismo.

Por esta iniciativa, entre outras ações, a professora Lília Melo conquistou o Prêmio Professora do Brasil - Ensino Médio 2018. O cenário do execução do projeto é a escola estadual Brigadeiro Fontenelle, no bairro da Terra Firme, em Belém/PA.

DPU lança vídeo sobre Racismo Religioso





Campanha da Defensoria Pública da União

A campanha Interfaces do Racismo é composta por quatro mini-documentários de até 10 minutos divididos em quatro eixos: racismo estrutural, racismo institucional, racismo ambiental e racismo religioso. A divulgação dos vídeos é semanal.

No quarto e último episódio da série, são abordadas questões sobre o Racismo Religioso.

Este vídeo é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais e foi produzido pela Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública da União.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Entrevista com a professora Lília Melo, vencedora do Prêmio Professores/as do Brasil 2018 com o projeto "Juventude negra periférica - do extermínio ao protagonismo"

É do Pará a professora vencedora da edição deste ano do Prêmio Professores/as do Brasil / Ensino Médio. Seu nome é Lília Cristiane Barbosa de Melo, da Escola Estadual Brigadeiro Fontenelle, que está localizada no bairro da Terra Firme, considerada "zona vermelha" da cidade de Belém.
E por se falar em "zona vermelha", considerando os preconceitos que o termo evoca, que limita a conclusão como espaço urbano sitiado pela violência, influência do tráfico e carências, para muitos ainda é difícil compreender que uma escola pública pode ser cenário de uma ousada iniciativa pedagógica de poder da juventude negra e periférica. Talvez, para muitos, fosse mais aceitável ver um noticiário da imprensa contando sobre um caso de depredação, briga entre estudantes ou ameaça aos professores. Assim os apresentadores de TV falariam alto que está tudo errado. Conservadores diriam que bom mesmo era quando se "cantava o Hino Nacional" e se fazia tabuada. Oportunistas de ocasião reclamariam por uma escola sem partido, a fim de resolução de todos os problemas.
Mas, contrariando esse roteiro, a escola estadual Brigadeiro Fontenelle viu nascer uma experiência inovadora e exemplar. Como canta Emicida, "Ceis esperava que eu roubasse tudo, menos a cena". Deste modo, após a tragédia da chacina de 2014, quando vários jovens do bairro foram mortos na guerra entre polícia, milícia e traficantes, propôs-se na escola o projeto de afirmação da força da juventude - "do extermínio ao protagonismo".

A COPIR entrevista a professora idealizadora do projeto Lília Melo, no dia (11 de dezembro) que ela embarca de Belém para Brasília para receber da Presidência da República a medalha de honra ao mérito educativo. O prêmio do Ministério da Educação foi entregue na semana passada na cidade do Rio de Janeiro/RJ.

COPIR - 1. A iniciativa do projeto "Terra Firme: Juventude Negra Periférica - Do Extermínio ao Protagonismo" nasceu do fatídico episódio da chacina que vitimou jovens do bairro em 2014. De que forma a Escola Brigadeiro Fontenelle foi impactada com o ocorrido e como surgiu a ideia de transformar o luto em luta?
Lília Melo: Em 2014 eu já trabalhava com a pedagogia de projetos, mas em uma temática que não era tão relevante para comunidade escolar.  Na época, trabalhava com lendas amazônicas que tinham as suas ações muito bem recebidas pelos alunos e alunas, porém a chacina de novembro de 2014 esvaziou tais ações do projeto, revelando a necessidade de uma nova perspectiva, já que enfrentamos um desinteresse visível por parte desses alunos e dessas alunas. Senti a necessidade de mudar, imediatamente, de temática!
Em janeiro de 2015, comecei a fazer uma pesquisa acerca de como as periferias de outros estados atuavam na intervenção da realidade de sua comunidade. Conheci  três grandes projetos que até hoje são referências para nossas ações: a Cooperifa, com Sérgio Vaz (SP), o projeto Proceder, com Mano Teko (RJ) e o projeto Blacktude com Nelson Maca (BA). A partir desse mapeamento nacional, fiz um levantamento das atuações dos coletivos culturais no bairro da Terra Firme. O Ponto de Memória da Terra Firme, na figura da professora Helena Quadros, foi um importante suporte teórico nessa construção.

COPIR - 2. Como se dá a participação da comunidade escolar (mães, pais, estudantes, vizinhos, profissionais da escola) no Projeto?
Lília Melo: A comunidade escolar se envolve a partir do momento em que sincronizamos as agendas, proporcionando as ações coletivas. Construindo uma rede de comunicação entre a escola e os coletivos culturais do bairro. Dessa forma, dissolvemos os muros que antes estabeleciam o afastamento da escola com sua comunidade externa. Sabemos que a escola é uma instituição reconhecida, consagrada, enquanto instância que forma indivíduos críticos, ou pelo menos deveria... Mas ela não é a única referência de formação de indivíduos. Nós temos igreja, família, a rua e os coletivos culturais que são outras instâncias que tem um papel fundamental na formação desses indivíduos e na intervenção da sua realidade sócio-política-econômica que formam tanto quanto, se não mais!

COPIR - 3. Geralmente, projetos, sobretudo na questão da diversidade, geram resistências de gestão superior e desinteresse de colegas, que consideram o "aumento de gastos e trabalho". Isto afeta muitos professores e muitas professoras que tem ideias legais, mas, para não se indisporem, optam em guardar seus planos. A senhora gostaria de comentar como foi a relação na sua escola? Qual a dica que a senhora pode compartilhar com quem deseja desenvolver um projeto sobre igualdade étnico-racial na escola?
Lília Melo: Um projeto com tal desdobramento, de fato, enfrenta grande resistência por parte de todos os segmentos da escola. Seja o pedagógico, o da direção, o de pais e mães de alunos e até dos próprios alunos.
Muitas vezes fui questionada: O que essa professora de língua portuguesa está fazendo com esses alunxs na rua tocando tambor? Por que ela não vai para dentro de sala de aula ministrar aulas de redação ou concordância verbal e nominal? Principalmente no que diz respeito à formação para o Enem que tem toda uma pressão das turmas de 3º ano que já estão mais concentradas para realização da prova. Isso é um grande desafio a ser enfrentado. Porém, na medida em que o projeto vai transformando a vida desses alunos e dessas alunas de maneira positiva e produtiva dentro das suas casas, na rua e na escola, constrói-se a credibilidade no projeto. Então, essa resistência até existe ao longo de todo o processo. Mas ela não é, de forma alguma, impossível de ser combatida, dissolvida e até mesmo transformada em credibilidade e parceria.

COPIR - 4. Ocorreram mudanças no cotidiano escolar? Quais? Como verificou-se o impacto do projeto na vida da comunidade escolar?
Lília Melo: A principal mudança que se tem é do fluxo de atividades e de pessoas  nos dias não letivos. As oficinas aconteceram predominantemente, nos dias de sábado e nós contávamos com pessoas que não estavam ali para assinar a lista de frequência e/ou para ganhar pontuação extra em alguma avaliação. Esses/as alunos/as se transformaram em um coletivo mesmo, com ações e interesses em comum.
O Bloco Firme, por exemplo, que é um resultado das oficinas de tambor ministradas pelo Coletivo Casa Preta, chegou a se apresentar no Hangar ao lado de artistas consagrados como Rafael Lima e Nilson Chaves. Futuramente, gravamos o clipe do Rafael Lima no canal do Tucunduba captando imagens do alto, usando um drone do IFPA. Algo significativo para as ruas  de uma periferia. Outra mudança recente, foi a recepção dos grupos de MC's.
Fizemos uma releitura do funk e do Rap, estilos de músicas bastante criminalizados pelas escolas, que agora trabalhamos com letras extremamente politizadas de autores do bairro (alguns até alunos da escola). É um material didático fantástico para as aulas e para emancipação dessa juventude negra periférica.

COPIR - 5. Como a senhora pensa que essa experiência de ser premiada como "Professora do Brasil" pode contribuir para que mais experiências como a da sua escola se espalhem pelo estado? Como a senhora pensa que a SEDUC poderia contribuir com iniciativa como essas?
Lília Melo: Receber uma premiação da maior instância na área de educação, como é o caso do MEC, valida e traz maior credibilidade para nossas ações. Esse título de “Melhor Professora do Brasil 2018” comprova de que estamos no caminho certo. Acredito que o suporte que a Seduc-PA possa dar é justamente no reconhecimento e valorização desse trabalho que é diferenciado, justamente pelo desafio de agregar tantos segmentos distintos, abrindo portas para as outras escolas da rede estadual de ensino, situadas em outros bairros periféricos, talvez até de outros municípios, proporcionando a reverberação dessa polifonia sociocultural das produções da juventude Negra periférica em todo o Estado do Pará.






















Por Prof. Tony Vilhena
Fotos: Profa. Lília Melo

Crianças da escola estadual João XXIII participam de várias atividades da Consciência Negra


O dia 29 de novembro foi marcado como o de culminância das diversas atividades pedagógicas do Mês da Consciência Negra da EEEF João XXIII, situada no bairro de Águas Lindas, em Ananindeua.
Além da exposição sobre africanidades e religiões de matriz africana, ainda pode-se conhecer a história de personalidades negras, jogos africanos e culinária afro-brasileira com direito a degustação.
A escola ficou bem colorida com os cartazes e a produção artística dos/as estudantes. Usando garrafas plásticas de produtos de limpeza recicladas, foram produzidas máscaras com turbantes, chamando a atenção pela beleza e criatividade.
O sociólogo da COPIR Tony Vilhena atuou numa roda de conversa com turmas diversas. Foi uma excelente oportunidade para partilha de experiências de vida, com testemunhos sobre ocorrências de racismo em diferentes contextos. Mas, os/as estudantes também listaram várias compromissos que cada um/a pode assumir contra o racismo como: usar as redes sociais para combater o racismo, não compartilhando conteúdos com "brincadeiras" ou "piadas" racistas; garantir o direito de fala de todas as pessoas; ser forte e não se abater com pessoas tentam ofender; etc.







Texto e fotos: Tony Vilhena

Professora da periferia de Belém ganha prêmio do MEC

Ela criou o projeto 'Juventude negra periférica - do extermínio ao protagonismo', que incentiva a produção de conteúdos audiovisuais pelos próprios alunos, onde eles relatam o que vivem no bairro da Terra Firme.


"Juventude negra periférica - do extermínio ao protagonismo" é o nome do projeto criado pela professora Lilia Melo, que tem transformado a vida de dezenas de jovens do bairro da Terra Firme, na periferia de Belém. Na semana passada, ela conquistou o prêmio nacional 'Professores do Brasil', do Ministério da Educação (MEC), que reconhece o trabalho de professores de escolas públicas que fazem a diferença nas salas de aula.
O projeto é desenvolvido na Escola Brigadeiro Fontenele, na Terra Firme. Ele foi lançado em janeiro de 2015, meses depois de uma chacina onde 11 pessoas foram assassinadas em Belém, sendo a maioria que a maioria das execuções foi na Terra Firme. O projeto ajudou esses jovens a entenderem a violência, tão presente na rotina deles, como exercício de reflexão, e principalmente como impulso para que eles formassem a própria história.
Além da produção audiovisual, o projeto tem dança inspirada no movimento hip-hop, teatro e cinema. A professora fez questão que os alunos assistissem ao filme "Pantera Negra", para refletir sobre o papel do negro na sociedade e fez uma campanha para levar os estudantes ao cinema.
“Através dessa parceria, trazer o reconhecimento e valorização da identidade afro, indígena e ribeirinha pra que esses meninos e essas meninas, que são pretas, em sua maioria, periféricas, possa protagonizar a sua própria história", afirmou a vencedora do prêmio. 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Convite: VI Seminário Negritude em Movimento - Conhecendo os intelectuais negros e negras

 O Grupo de Estudos Afro-Amazônico tem a honra de convidar todxs para o VI Seminário Negritude em Movimento - Conhecendo os intelectuais negros e negras. O apagamento do protagonismo negro na produção do conhecimento.
Em tempos de recrudescimento da política brasileira continuamos nossa caminhada de resistência. É preciso conhecer as grandes estrelas negras que contribuíram e ainda contribuem com a produção de conhecimento cotidiano.
O seminário tem por objetivo visibilizar a produção acadêmica e não acadêmica pessoas que lutam pela valorização, divulgação e respeito pela população  negra em nosso pais. Luis Gama, Abdias do Nascimento, Clóvis Moura, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Jurema Wernwck, Regina Nogueira, Sueli Carneiro,  Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Nei Lopes, Djamila Ribeiro, André Rebouças, Teodoro Sampaio, Alberto Guerreiro Ramos, Oracy Nogueira, Neusa Santos, Milton Santos, Joel Rufino, Zélia Amador de Deus, Nilma Bentes, Wilma Baia Coelho, Cristina Oshai, Wilson Mattos, Carolina de Jesus, Rosa Acevedo, Henrique Cunha, ... são apenas alguns nomes da extensa lista de intelectuais negros brasileiros.
Não é incomum, entretanto, que um estudante deixe o ensino superior sem conhecer e sem ter lido nada desses pensadores. Para pesquisadores, falta à academia e à educação de forma geral um conhecimento maior sobre a intelectualidade negra, não apenas brasileira. É preciso também ter acesso a obras de pensadores negros traduzidas.

Nesse sentido, convidamos para um encontro, um bate-papo, uma roda de conversa com pessoas que fazem a negritude no Pará. 
Local: Auditório do IFCH
Data: 12 e 13 de dezembro de 2018
Horário: 09:00- 18:00

Programação:
12/12 - Quarta-feira
Manhã
09:00/ 09: 30: Mesa de abertura Abdias do Nascimento: convidados
10:00/ 11:30 Painel Nei Lopes - Nas ruas, nas esquinas e nas casas todos têm uma história para contar. Expositores: Preto Michel, Shaira Mana Josy e Mônica Conrado
11:30: Apresentação Painéis alunos Seminários Temáticos - Intelectuais Negros no Pensamento Social Brasileiro/Coquetel

Tarde
Oficinas
13:30: Oficina 1: Estética Negra o cuidar do cabelo e da identidade - Ingrid Amaral
13:30: Oficina 2: Fanzine- Alef Monteiro

15:30 - 17:00: Painel 2 Beatriz Nascimento - Mulheres Negras da Amazônia - Maria Luiza Nunes (NPINC), Eneida Albuquerque (CEDENPA), Maria Zeneide (SEDUC)

13/12 - Quinta-feira
Manhã
09:00 - 10:30: Painel 3 Luis Gama: Do quilombo para o quilombo - caminhos e perspectivas quilombolas no Pará. Associação Discentes Quilombolas, Assunção Amaral e Luis Cardoso
10:30 - 12:00: Painel 4 Zélia Amador de Deus - Políticas de ação afirmativa para a população negra. Raimundo Jorge, Edson Catendê, Domingos Conceição, Dionísio Poey Baró

Tarde
14:00 - 15:30: Painel 5 Nilma Lino Gomes - Valores culturais afro-brasileiros e educação. Joana Carmem Nascimento Machado, Ilka Joseane Oliveira, Angelo Imbiriba
15:30 - 17:00: Painel 6 Makota Valdina - Na roda das Iyas: valores afro-religiosos e cosmovisão de mundo. Mametu Nangetu, e Jucilene Carvalho e  Iyalorixá Mãe Nalva de Oxum.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Escola de Vila Forquilha, em Tomé-Açu, promove diversidade étnico-racial

No dia 20 de novembro, no Brasil, comemora-se o Dia da Consciência Negra que marca o dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder negro. Sua morte que  ocorreu em 1695, após anos defendendo o Quilombo de Palmares de expedições que pretendiam escravizar, novamente, os negros que conseguiram fugir.
Ninguém nasce preconceituoso, as pessoas se tornam preconceituosas e a escola, que é um lugar privilegiado de aprendizado, tem que “desconstruir” os preconceitos, entre eles, o racial. No dia 28 de novembro de 2118 a comunidade, professores e alunos da Escola Francisco Portilho, na Vila Forquilha em Tomé-Açu/Pa, debateram a temática  diversidade cultural e o preconceito racial com uma didática diferente e bastante interessante.
Ao logo da semana alunos e professores em forma de puxirum (mutirão) transformaram algumas salas de aula retirando azulejos quebrados, lixando as paredes,  pintando e lavando as mesma com água e sabão ( limpando também a intolerância). Depois de tudo isso, começou processo de pintura (arte) das paredes como a temática do preconceito racial. As pinturas ficaram a cargo exclusivamente dos alunos, eles deram asas às suas imaginações e extravasaram suas repulsas ao preconceito. Os trabalhos ficaram maravilhosos quer porque expressaram  seus sentimentos dizendo não ao racismo, quer pela beleza da arte. A educação naqueles dias tornou-se uma ação coletiva onde no ensinar também se aprende. Que lição seus alunos deram a nós, seus mestres!
Por um certo período nossos alunos deixaram seus terçados e suas enxadas (são alunos da zona rural) substituindo-os por pinceis e tintas. O labor (trabalho pesado) deu lugar a poiesis (poesia). Fica provado que um quadro, um pincel (ou giz), uma sala fechada (muitas vezes quente demais) não é o melhor local de aprendizagem
A culminância da discussão da temática racial deu-se na própria escola, à noite onde todo o corpo discente, docente e a comunidade se fez presente em massa. Houve palestra, danças com raízes africanas, desfiles, participação de povos indígenas e visitação às artes criadas pelos alunos. Depois dessa atividade a questão racial será vista de outra forma. Todos em um gesto simbólico e coletivo disseram não ao preconceito. Despertou também em todos (especialmente nos alunos) a ideia de pertencimento em relação a escola onde estudam, simbolizada numa frase que ouvir de um aluno: “Eu não vou deixar que ninguém risque esta sala que ficou tão bonita”.

Professor Valdivino Cunha da Silva