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Curso Afro-Pará

EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ensino público reage contra preconceito racial


“Sem a escola, sem a educação, a gente não avança no sentido de se atingir uma igualdade racial na sociedade brasileira”. A afirmação é da doutoranda da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a venezuelana Gianna Sanchez Moretti. Ela visitou, nos últimos dias, as escolas estaduais Presidente Costa e Silva, em Belém, e Professor Ademar de Vasconcelos, em Salvaterra, no Arquipélago do Marajó. Ao se reunir com dirigentes e técnicos da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (Copir) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), nesta segunda-feira (28), Gianna Sanchez destacou ter gostado dos projetos desenvolvidos nestas duas escolas com relação à inclusão de aspectos da história e cultura dos povos negros nos currículos escolares a partir da Lei Federal 10.639, de 2003.

“O papel da escola nesse processo de valorização da história e cultura dos povos negros é fundamental, mas ela não é o único ator. A escola trabalha paralelamente à família, à comunidade, à sociedade, ao Poder Público”, enfatizou Gianna. No dia 16, a pesquisadora visitou a Escola Presidente Costa e Silva, no bairro do Marco, e no dia 24, a Escola Ademar de Vasconcelos, em Salvaterra.

Ações - Na Escola Costa e Silva, Gianna verificou a experiência de estudantes e professores no enfoque teórico e prático de conteúdos trabalhados em sala de aula, os quais são detalhados em pesquisa de campo, como a Escola Quilombola do Baixo Acará. Na escola Ademar de Vasconcelos, a pesquisadora conheceu o projeto da Semana Integrada de Combate ao Racismo e outras ações.

“Eu percebi que dentro dessas escolas está sendo feito um trabalho já há vários anos, inclusive, antes de a própria lei ser adotada, e que este trabalho está inserido no currículo pedagógico. Os trabalhos desenvolvidos têm muito conteúdo pedagógico que os professores estão trabalhando dentro da sala de aula e na execução de projetos interdisciplinares que movimentam vários professores e vários alunos de diferentes séries”, afirmou.

Os projetos e os trabalhos desenvolvidos dentro das salas de aula “têm tido um resultado positivo, sobretudo, na motivação, na autoestima dos estudantes, porque este trabalho pedagógico visa trabalhar esses aspectos, contribuindo com o enfrentamento da evasão escolar”.

Evasão - Sobre a relação evasão escolar e discriminação racial, Gianna Sanchez observou que a partir das pesquisas que ela tem feito no Pará e em outros estados do País e na análise de indicadores educacionais, constata haver “um link muito forte entre o ser negro e deixar a escola, porque também há um link histórico e socioeconômico, de vez que os mais pobres no Brasil são em maior parte negros e os que mais sofrem violência e homicídios, em maior parte, são jovens negros”.

Em qualquer sociedade, a escola tem papel estrutural na construção de cidadãos, essa tarefa tem de ser desenvolvida em sintonia com a família, a comunidade, para auxiliar ao estudante a entender conceitos, assimilar conhecimentos e também prepará-lo para o mercado de trabalho. “Esse trabalho tem que ser feito tolerando e respeitando a diversidade a cultura e a realidade do estudante. Então, o estudante tem que se identificar com o que está sendo ensinado na escola”, afirmou Gianna.

Currículo - Gianna Sanchez pesquisa sobre projetos e ações de ensino da história e cultura afro-brasileira na educação pública dos estados do Pará, Alagoas, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Essa pesquisa serve de base para a tese de doutorado de Gianna e subsidiar outros trabalhos em âmbito internacional voltados para políticas públicas nessa área educacional e de Direitos Humanos. 

Texto:
Eduardo Rocha
Fotos: Advaldo Nobre

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