EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Formação sobre Educação Escolar Quilombola no Acará



Momento de entrega dos certificados

De 09 a 11 de novembro de 2015, a pedagoga Carla Reis e o sociólogo Tony Vilhena desenvolveram a formação do Projeto Educação, Etnicidade e Desenvolvimento: Fortalecimento de Negros e Negras Quilombolas na Educação Básica pela Coordenadoria de Educação para a Promoção da Igualdade Racial da Secretaria de Estado de Educação do Pará (COPIR/SEDUC), em parceria com a Coordenação de Educação do Campo da Secretaria Municipal de Educação e Comunidade Quilombola de São José, no município de Acará/PA.
Participaram 35 profissionais da educação das Comunidades Quilombolas de São José, Monte Alegre, Trindade, Flechal, Itacoã-Miri, Cruzeirinho e Guajará-Miri. Na oportunidade, foi realizada uma avaliação (veja quadro abaixo) que aponta os avanços e as limitações da implementação da Educação Escolar Quilombola nestes territórios e estudos de textos técnicos.
Também foram realizadas oficinas com os estudantes das escolas “Castelo Branco”, da Comunidade de Monte Alegre, e “Santa Rita II”, da Comunidade de São José. A ênfase das oficinas era reforçar os aspectos da beleza negra, a defesa da identidade de seus “traços fenotípicos” (cor da pele, formatos do rosto, textura do cabelo, etc.) frente aos constantes ataques raciais que impõem o padrão de beleza associado somente às características das pessoas brancas.

QUILOMBOLÊ
Professoras Rosiane Galiza e Mônica Queiroz
Na escola "Santa Rita II" existe o Projeto Quilombolê, que surgiu diante da dificuldade de leitura e reserva as primeiras horas do dia letivo para inserção de literatura que reforcem as identidades quilombolas. Para a professora quilombola Mônica Queiroz, "primeiro devemos falar de nossas histórias, onde a fonte é a própria comunidade, ouvindo as pessoas idosas, usando os recursos da oralidade, resgatando culturas antigas que estavam se perdendo".

QUILOMBOLETRANDO
Professoras Shirley Miranda e Rutecléia Souza
Na escola "Castelo Branco", após reuniões da hora-pedagógica (HP), chegou a conclusão sobre a necessidade de um ação que juntasse os objetivos do currículo com a realidade da comunidade. Assim nasceu o Projeto Quilomboletrando. Segundo a professora quilombola Rutecléia Souza, o projeto se consolidou por "combater a desvalorização dos costumes e mitos locais e por valorizar a beleza negra, incluindo oficinas de tranças, por exemplo".

Mais fotos

Formação do Projeto "A Cor da Cultura" 2015.




Uma das grandes queixas dos profissionais da Educação é que não existem muitos materiais disponíveis que tratem da História da Cultura Africana e Afro-Brasileira, conforme determina a Lei Nº 10.639/03.

O Projeto “A Cor da Cultura” tem por objetivo contribuir para a efetivação da Lei Nº. 10.639/03, que estabelece a inclusão e valorização dos conteúdos sobre “História e Cultura Afro-Brasileira” no Currículo Escolar. Para tanto disponibiliza 01 (um) kit educativo para cada Escola participante do Projeto.

O kit educativo é composto de 09 (nove) dvd´s, 05 (cinco) livros, 02 (dois) glossários de palavras africanas e indígenas, 01 (um) jogo educativo, 01 (um) cd de música, 03 (três) mapas e 01 (um) caderno sobre os “Indicadores da Qualidade da Educação – Relações Raciais nas Escolas”. Um material didático e pedagógico excelente para a Educação das Relações Étnico-raciais.

Para o ano de 2015, cada USE indicará até duas Escolas com dois representantes

A Formação de Facilitadores ocorrerá nos dias 19 e 20 de novembro de 08h as 12h no Auditório do CCSE/UEPA, sito Trav. Djalma Dutra s/n.

Nesse momento, deve-se dar preferência para as Escolas que ainda não participaram da referida Formação e que ainda não receberam o kit educativo.

Entre em contato com sua USE e faça sua pré-inscrição!!!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Educação sexual ganha espaço em escolas

Cinquenta estudantes de oito escolas da rede pública estadual de ensino da Região Metropolitana de Belém superaram a inibição de discutir um tema tão importante na vida de qualquer cidadão e debateram, no último dia 10, a sexualidade, a partir do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc PA) e outras instituições. A programação ocorreu no auditório da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Cordeiro de Farias,no bairro do Souza.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

UFPA inscreve para vestibular especial para populações tradicionais da Amazônia


Está aberto o período de inscrições para o Processo Seletivo Especial - 5 (PSE5) da Universidade Federal do Pará (UFPA). O concurso oferta 717 vagas em 169 cursos de graduação, distribuídos em 19 municípios paraenses. As vagas são especificamente para candidatos indígenas, quilombolas e interessados no curso especial de Etnodesenvolvimento. 

As inscrições podem ser feitas entre o dia 29 de outubro e o dia 18 de dezembro pelo site do Centro de Processos Seletivo (Ceps). A participação no concurso é gratuita, mas os candidatos devem imprimir, no sistema, o “boleto de pagamento” para comprovar sua inscrição.

Novidades – De acordo com o diretor do Ceps, em exercício, Arquimimo Almeida, há novidades no concurso deste ano. “Planejamos um prazo de inscrição mais longo em razão da necessidade de deslocamento que estes estudantes têm para se inscrever e participar do concurso, já que muitos precisam se deslocar de aldeias e outras comunidades”.
Outra novidade é a flexibilização do curso de Etnodesenvolvimento para o Marajó. “Esta graduação sempre foi ofertada em Altamira, mas os coordenadores do curso avaliaram a demanda de outras comunidades para receber essa oportunidade de ingresso no ensino superior e, por isso, este ano, o curso será ofertado em Soure”, destaca Arquimimo Almeida. De acordo com o diretor do Ceps, a região foi escolhida por causa da presença de populações tradicionais, especialmente descendentes de quilombolas e ribeirinhos.

Vagas especiais – As vagas do PSE–5 são relativas à política de ações afirmativas da UFPA. Das 717 vagas ofertadas, 336 são para candidatos indígenas e outras 336 para estudantes quilombolas. Esses números correspondem a quatro vagas a mais criadas em cada curso de graduação ofertado pelo PS2016 da UFPA. As demais 45 vagas são referentes ao curso de Etnodesenvolvimento, agora flexibilizado para Soure.
A UFPA reitera que todos os candidatos ao PSE–5 precisam apresentar documentos que comprovem seu pertencimento às comunidades tradicionais da Amazônia e ou do Brasil, conforme as regras apontadas no edital.

Datas importantes – Os candidatos poderão acessar seu cartão de inscrição no site do Ceps a partir do dia 05 de janeiro de 2016. A primeira fase do concurso (a prova de redação e língua portuguesa) está marcada para o dia 17 de janeiro de 2016 nas cidades de Abaetetuba, Altamira, Belém, Cametá e Soure. Já a segunda fase (composta por uma entrevista individual com análise do histórico escolar do ensino médio e da declaração de pertencimento) acontece de 2 a 5 de março de 2016.

Serviço:
Inscrições para o Processo Especial - 5 (PSE5) da UFPA
Período: entre o dia 29 de outubro e o dia 18 de dezembro de 2015.
Pelo site do Centro de Processos Seletivo (ceps).
Texto: Ascom / UFPA
Foto: Alexandre Moraes

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Seminário para elaboração de conteúdos de educação para relações étnico-raciais


As políticas de ações afirmativas de inclusão, reconhecimento e reparação das populações negras são consequências de lutas lideradas pelo Movimento Negro em articulação com outros coletivos sociais do cenário regional, nacional e internacional, com o propósito de desconstruir o mito da democracia racial e constituir um novo projeto de sociedade. Entre estas políticas destacamos por sua relevância, a Lei 10.639/03, que alterou a Lei 9.394/96 que dispõe sobre as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, estabelecendo a obrigatoriedade do Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica, nos Art. 26, 26 A e 79 B.
O Seminário para elaboração de conteúdos de educação para relações étnico-raciais na Educação Básica: as interfaces da cultura afro-brasileira e africana no currículo escolar, a ocorrer nos dias 25 e 26 de novembro, no IFPA/Campus Belém, foi formulado com o intento de propiciar um encontro entre os/as profissionais da educação afim de refletir, discutir, partilhar e construir conhecimentos relativos às questões dos conteúdos formativos para a educação das relações étnico-raciais, destacando as práticas pedagógicas e os componentes curriculares, tendo em vista atividades, posturas, sugestões de abordagens e características que os gestores, técnicos e docentes podem assumir junto ao contexto escolar, por ser dotado de processos educativos produzidos nas experiências e no pensar sobre o vivido, nas relações com a família, a comunidade, prática docente e no contato com a mídia. Neste sentido, se faz imprescindível a realização deste seminário, ampliando o foco do currículo para a (re)construção da cidadania dos brasileiros, respeitando sua pluralidade étnica e cultural por meio da educação.
O Seminário promoverá a reflexão e o debate entre os/as profissionais da educação em pleno mês da consciência negra, celebrado em novembro, com a carga horária de 16 horas, contando com mesa redonda com palestrantes referências na temática e oficinas rumo à plenária geral, a fim de apresentar diretrizes que irão compor o Documento Base norteador do currículo da Educação Básica do Pará.

Serviço
Data: 25 e 26 de novembro de 2015
Local: Auditório do Instituto Federal do Pará - IFPA / Campus Belém
Endereço: Av. Alm. Barroso, 1155 - Marco, Belém - PA, 66093-020.
Inscrições e credenciamento: No local do evento
Informações: (91) 3201-5157/ copirseduc@gmail.com

I Seminário Violências contra as mulheres: uma discussão sobre saúde, direitos e enfrentamento


Especialização em Educação para Relações Etnicorraciais no IFPA



A Direção Geral do Campus Belém do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará – IFPA, através da Coordenação do Curso de Especialização em Educação para Relações Etnicorraciais, com o objetivo de realizar a formação continuada de professores da Rede de Educação Básica,em atendimento às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, em consonância com a Lei nº 10.639/2003, lança Edital de Chamada Pública no Campus Belém para o Curso de Especialização em Educação para Relações Etnicorraciais.

1. VAGAS Serão ofertadas 40 (quarenta) vagas.
1.1 Poderão inscrever-se candidatos nas seguintes condições:
a) Professores e Técnicos Administrativos do IFPA;
b) Professores da Rede Pública de Ensino;
c) Egressos dos Cursos de Formação de Professores oriundos de Instituição de Ensino Superior, com Curso devidamente autorizado, reconhecido e credenciado pelo Ministério da Educação;

 LEIA O EDITAL COMPLETO AQUI

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Roteiros para o ensino de filosofia africana e afrodiaspórica Leia a matéria completa em: Roteiros para o ensino de filosofia africana e afrodiaspórica



Filósofo, professor e pesquisador, Renato Noguera propõe, em livro coeditado pela FBN, mudanças no ensino da disciplina nas escolas
No CEERT
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Desde que foi promulgada a Lei 10.639, que tornou obrigatória a inclusão dos conteúdos de História e Culturas Afro-Brasileira e Africana em todos os níveis de ensino no país, em 2003, muito se discute sobre a aplicação dela. O livro O ensino de filosofia e a lei 10.639, do professor Renato Noguera, produzido pela Pallas Editora em coedição com a Fundação Biblioteca Nacional, defende mudança de paradigmas: descolonizar o pensamento e desfazer a ideia de que a filosofia seja uma aventura exclusiva da cultura ocidental. O livro foi um dos ganhadores do Edital de Coedições para Autores Negros, da Biblioteca Nacional em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do MinC.
O professor lembra que a produção africana existe desde a antiguidade e que, antes da Grécia, os egípcios formularam importantes teses filosóficas. “Além disso, nada mais empobrecedor na área de filosofia do que as respostas fáceis e dogmas”, acrescenta. Por isso, o autor sugere, no livro, revisitar a produção acadêmica de africanas e africanos em todo o mundo, de forma a combater o racismo epistêmico, observando o protagonismo e a autoridade de negras e negros em todas as áreas.
Uma das questões centrais do texto é justamente a invisibilidade da produção intelectual negra.  “Esse roteiro é benéfico para a democracia e ampliação da diversidade étnico-racial nos circuitos acadêmicos. Os centros de produção e difusão de conhecimento acadêmico ainda são muito eurocentrados. Algumas décadas atrás a história da Europa era considerada a narrativa da trajetória da humanidade”, esclarece Noguera.


O público-alvo esperado inicialmente constitui-se, sobretudo, de docentes de filosofia do ensino médio e de pessoas que trabalham com a pesquisa sobre o ensino de filosofia. Apesar de a publicação ter sido pensada principalmente para esses profissionais, Renato torce para que ele conquiste o interesse do público em geral. “O livro também provoca debates entre os que atuam na universidade e, eventualmente, entre o público que se depara com declarações que contrariam o senso comum a respeito da filosofia. Ideias como ‘os gregos não inventaram a filosofia’ podem gerar debates mais acalorados”, diz Renato.


O autor espera que a publicação ajude a desfazer ideias preconcebidas sobre a relação entre a filosofia e a cultura ocidental. “O meu convite, tanto às pessoas que têm criticado o livro como às que o têm elogiado, é que busquem as fontes que indico e que revejam a formação oficial na área. O que eu digo no livro é que não devemos ficar restritos a uma historiografia apenas”.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ensino público reage contra preconceito racial


“Sem a escola, sem a educação, a gente não avança no sentido de se atingir uma igualdade racial na sociedade brasileira”. A afirmação é da doutoranda da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a venezuelana Gianna Sanchez Moretti. Ela visitou, nos últimos dias, as escolas estaduais Presidente Costa e Silva, em Belém, e Professor Ademar de Vasconcelos, em Salvaterra, no Arquipélago do Marajó. Ao se reunir com dirigentes e técnicos da Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial (Copir) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), nesta segunda-feira (28), Gianna Sanchez destacou ter gostado dos projetos desenvolvidos nestas duas escolas com relação à inclusão de aspectos da história e cultura dos povos negros nos currículos escolares a partir da Lei Federal 10.639, de 2003.

“O papel da escola nesse processo de valorização da história e cultura dos povos negros é fundamental, mas ela não é o único ator. A escola trabalha paralelamente à família, à comunidade, à sociedade, ao Poder Público”, enfatizou Gianna. No dia 16, a pesquisadora visitou a Escola Presidente Costa e Silva, no bairro do Marco, e no dia 24, a Escola Ademar de Vasconcelos, em Salvaterra.

Ações - Na Escola Costa e Silva, Gianna verificou a experiência de estudantes e professores no enfoque teórico e prático de conteúdos trabalhados em sala de aula, os quais são detalhados em pesquisa de campo, como a Escola Quilombola do Baixo Acará. Na escola Ademar de Vasconcelos, a pesquisadora conheceu o projeto da Semana Integrada de Combate ao Racismo e outras ações.

“Eu percebi que dentro dessas escolas está sendo feito um trabalho já há vários anos, inclusive, antes de a própria lei ser adotada, e que este trabalho está inserido no currículo pedagógico. Os trabalhos desenvolvidos têm muito conteúdo pedagógico que os professores estão trabalhando dentro da sala de aula e na execução de projetos interdisciplinares que movimentam vários professores e vários alunos de diferentes séries”, afirmou.

Os projetos e os trabalhos desenvolvidos dentro das salas de aula “têm tido um resultado positivo, sobretudo, na motivação, na autoestima dos estudantes, porque este trabalho pedagógico visa trabalhar esses aspectos, contribuindo com o enfrentamento da evasão escolar”.

Evasão - Sobre a relação evasão escolar e discriminação racial, Gianna Sanchez observou que a partir das pesquisas que ela tem feito no Pará e em outros estados do País e na análise de indicadores educacionais, constata haver “um link muito forte entre o ser negro e deixar a escola, porque também há um link histórico e socioeconômico, de vez que os mais pobres no Brasil são em maior parte negros e os que mais sofrem violência e homicídios, em maior parte, são jovens negros”.

Em qualquer sociedade, a escola tem papel estrutural na construção de cidadãos, essa tarefa tem de ser desenvolvida em sintonia com a família, a comunidade, para auxiliar ao estudante a entender conceitos, assimilar conhecimentos e também prepará-lo para o mercado de trabalho. “Esse trabalho tem que ser feito tolerando e respeitando a diversidade a cultura e a realidade do estudante. Então, o estudante tem que se identificar com o que está sendo ensinado na escola”, afirmou Gianna.

Currículo - Gianna Sanchez pesquisa sobre projetos e ações de ensino da história e cultura afro-brasileira na educação pública dos estados do Pará, Alagoas, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Essa pesquisa serve de base para a tese de doutorado de Gianna e subsidiar outros trabalhos em âmbito internacional voltados para políticas públicas nessa área educacional e de Direitos Humanos. 

Texto:
Eduardo Rocha
Fotos: Advaldo Nobre

Inclusão da cultura de povos negros no currículo escolar é tema de estudo





A inclusão de aspectos da história e cultura dos povos negros nos currículos escolares no país – incluindo duas escolas públicas estaduais no Pará –, à luz da Lei federal 10.639, de 2003, é acompanhada pela doutoranda da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Gianna Sanchez.

Ela está em Belém desde o dia 16, e já se reuniu com estudantes, gestores e professores da Escola Estadual Presidente Costa e Silva, no bairro do Souza. Nesta quinta-feira (24) à tarde, Gianna estará na Escola Estadual Professor Ademar de Vasconcelos, no município de Salvaterra, na Ilha do Marajó.

A pesquisadora levanta informações sobre a aplicação da Lei 10.639/ 03 nas escolas e reúne experiências exitosas em cinco Estados: Pará, Alagoas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Ao todo, são dez escolas no foco da pesquisadora. “Na Escola Costa e Silva os professores desenvolvem projetos e ações em sintonia com a lei. Eles fazem um trabalho inovador por meio do Programa Ensino Médio Inovador (Proemi)”, ressaltou.

Uma das experiências da Escola Costa e Silva que chamou a atenção da pesquisadora é a conciliação que estudantes e professores fazem entre teoria e prática, em que conteúdos trabalhados em sala de aula são esmiuçados na pesquisa de campo, em locais específicos. Um desses locais é uma comunidade quilombola, a Escola Quilombola do Baixo Acará.

Integrante do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo, vinculado ao Pnud, Gianna Sanchez informa que ao final do levantamento ela aproveitará as informações na tese de doutorado e também na elaboração de artigos.

No Marajó, Gianna Sanchez conhecerá as ações na Escola Professor Ademar de Vasconcelos, no centro de Salvaterra, onde a maioria dos estudantes é proveniente de comunidades quilombolas. “Há cinco anos atuamos na aplicação da Lei 10.639/ 03, objetivando elevar a autoestima dos estudantes, impulsionar o aprendizado, a prevenção e o combate à evasão escolar, incentivar a integração interdisciplinar e o relacionamento entre os alunos”, observa o professor Vinícius Darlan Andrade.

Esta escola foi destaque no 7º Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero: experiências de promoção da igualdade étnico-racial em ambiente escolar, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), de São Paulo, por um projeto de conscientização contra o racismo. A escola levou o prêmio da categoria Professor de Educação Escolar Quilombola, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido por Vinicíus Darlan Andrade, 35 anos, dos quais sete voltados para a docência.


Texto: Eduardo Rocha
Fotos: Ascom Seduc