Acesse a Plataforma MADAE

Acesse a Plataforma MADAE
Curso Afro-Pará

EXPOSIÇÃO "ÁFRICA: OLHARES CURIOSOS", Hilton Silva

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Semana de combate ao racismo no Marajó reflete sobre feminismo e livre orientação sexual

Professora Simone Araújo (COPIR/SAEN) fala sobre questões raciais
A 7ª edição da Semana Integrada de Combate ao Racismo no Marajó ocorreu nos dias 11 e 12 de maio de 2017, simultaneamente, em Salvaterra, na escola "Ademar Nunes de Vasconcelos", e em Soure, na escola "Gasparino Batista". O tema deste ano foi "Empoderamento feminino e combate à LGBTfobia”.
Na programação, em todos os momentos houve participação interessada e comprometida de estudantes. Inclusive, um dos maiores destaques desta ação é perceber que o projeto pedagógico tem uma dinâmica que incentiva o envolvimento dos alunos em todas as fases, desde a confecção de faixas, bandeiras e cartazes, até nas intervenções durante as palestras e na Marcha, que é o ponto alto da Semana.
A COPIR esteve representada pela professora Simone Araújo e pelo sociólogo Tony Vilhena que apresentaram o Projeto Tele Negra, uma mostra de filmes etnográficos que abordam as questões raciais. O destaque ficou para o curta "Pretas" (assista aqui), produzido em Belém do Pará e que mostra o drama da história de mãe e filha negras e o racismo. Ficou a proposta de no próximo ano acontecerem oficinas para que os estudantes possam produzir seus filmes e projetarem sua realidade através do cinema.
Pelo Instituto Ramagem, a cientista da religião Giovana Ferreira abordou a temática do racismo religioso, pois as produções das populações negras foram historicamente perseguidas, "demonizadas" e até mesmo criminalizadas, como o samba, a capoeira, o carimbó e as religiões de matrizes africanas, entretanto, enquanto outras expressões de africanidade foram incorporada pela "cultura brasileira", as regiões de matriz africana (Tambor de Mina, Candomblé, Angola, Umbanda, entre outras) continuam sofrendo intolerância e violência contra seus espaços de culto.
A professora Paulyane Ramos, coordenadora regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará, trabalhou o tema do "Feminismo e empoderamento feminino". Sua ênfase foi mostrar a importância do papel das mulheres na luta por uma sociedade igualitária, mas como a persistência do machismo e do racismo violentam as mulheres. A estudante da escola "Vasconcelos" Jheniffer Campos disse estar emocionada com o debate pois aprendeu o que é o preconceito racial e aprendeu a ter "muito orgulho" do seu "cabelo black".
Representando a Gerência de Proteção à Livre Orientação Sexual (GLOS) da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH), Beto Paes, seu gerente, ministrou oficinas de combate a LGBTfobia, que é o preconceito ou aversão às pessoas ou grupos de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. Explicou que ao considerar a população LGBT surgem dois conceitos importantes: orientação sexual e identidade de gênero. Dentro da sigla LGBT, lésbicas, gays e bissexuais são abrangidos pelo conceito de orientação sexual, enquanto travestis e transexuais se enquadram no conceito de identidade de gênero. No Brasil,  é assustador os dados sobre violência contra as pessoas LGBT. Segundo o Relatório da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Interssexuais (ILGA), apenas em 2016, o país teve 343 homicídios de LGBTs. As principais vítimas são os transexuais e travestis. A escola é espaço de educar pessoas para o respeito à diversidade.
Durante a programação também houve apresentação de grupos de pesquisa da escola "Vasconcelos" com temas sobre religiões de matriz africana, danças com temática afro-brasileira e apresentações musicais.
 
A culminância do projeto foi na sexta-feira, dia 12 de maio, com a Marcha do Empoderamento Negro. Pela manhã, a Marcha saiu de frente da escola "Gasparino Silva", em Soure; e de tarde, saiu de frente da escola "Ademar Nunes", em Salvaterra. Bandeiras de arco-íris e faixas contra o machismo, o racismo e LGBTfobia coloriram as ruas e chamaram a atenção da sociedade. Outras escolas se juntaram na caminhada, além de movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Taila Carvalho, do grupo feminista Mulheres do Fim do Mundo, que é marajoara, considerou o evento um "lindo acontecimento que tem dado certo". Para ela, "o papel da escola é de conscientizar e empoderar as pessoas para que o machismo possa ser superado para que as mulheres possam seguir livres e de cabeça em pé".
Para o diretor da escola "Gasparino", professor João Santos, a promoção da Semana de Combate ao Racismo leva às escolas temas relevantes para toda a sociedade. "Pois nossos jovens, adolescentes e crianças tomam consciência da importância da valorização e do respeito à igualdade, sendo que a escola vai socializar estes conhecimentos", reflete Santos.
Já para o professor Jociel Góes, diretor da escola "Vasconcelos", ser gestor diante de um evento com esta grandeza é desafiante. "Essas temáticas são importantes, a sociedade presencia ainda a intolerância e o preconceito, e a escola deve assumir o papel de conscientizar, mas o resultados estão presentes, contando com a adesão da comunidade escolar e o reconhecimento da sociedade", concluiu Góes.

Saiba mais sobre a Semana Integrada de Combate ao Racismo

O dia 13 de Maio é o Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo. É importante ressaltar que esta é uma releitura nascida no seio do movimento negro brasileiro como crítica às “comemorações” da assinatura da Lei Áurea, que pretensamente “libertou” os escravos em 13 de maio de 1888, entretanto, não se preocupou em reparar os séculos de escravidão e outras violências sofridas pela população negra no Brasil.
A execução do projeto "Semana Integrada de Combate ao Racismo" destacou o Pará no 7º Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero: experiências de promoção da igualdade étnico-racial em ambiente escolar. O projeto é desenvolvido em parceria com as escolas públicas estaduais Ademar de Vasconcelos, do município de Salvaterra, e Gasparino Batista, do município de Soure, na Ilha do Marajó. A experiência será colocada num catálogo com as 2.300 práticas vencedoras.
A premiação foi na categoria "Professor de Educação Escolar Quilombola", coordenado pelo professor Vinicius Darlan da Silva Andrade, que foi premiado em São Paulo, numa cerimônia promovida pelo Centro de Estudos de Relações do Trabalho e Desigualdades (CEERT), o organizador da premiação.
Texto e fotos: Simone Araújo e Tony Vilhena
Obs: Algumas fotos foram retiradas das redes sociais
 
























Nenhum comentário:

Postar um comentário